O volume armazenado nos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) chegou a 69,5% da capacidade útil em 26 de agosto. O resultado representa uma redução de 5,7 pontos percentuais em relação ao nível registrado no fim de julho.
Apesar da queda, esse ainda é o segundo maior volume observado para a mesma data desde 2015, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Os dados foram divulgados em 1º de setembro, na terceira edição do boletim mensal de acompanhamento hidrológico e climático.
Queda não significa crise generalizada
A redução do armazenamento precisa ser interpretada dentro do ciclo hidrológico. Durante o período seco, é comum que os reservatórios recebam menos água e apresentem diminuição gradual do volume.
O percentual nacional também não revela, sozinho, a situação de cada região. O SIN reúne reservatórios com características, capacidades e funções diferentes. Enquanto algumas bacias permanecem em condições confortáveis, outras exigem acompanhamento mais atento.
Por isso, o dado de 69,5% não permite anunciar uma crise generalizada de abastecimento ou geração de energia. Também não significa que todos os reservatórios brasileiros tenham perdido exatamente 5,7 pontos percentuais.
Bacias estratégicas seguem sem restrições
No sistema do rio Paranapanema, importante para os estados de São Paulo e Paraná, os reservatórios de Jurumirim, Chavantes e Capivara continuavam na faixa considerada normal, sem restrições de vazão.
Em 26 de agosto, Jurumirim armazenava 48,5% de seu volume útil; Chavantes, 56,6%; e Capivara, 93,3%. A quantidade de água que chegou a Capivara durante o mês correspondeu a 130% da média histórica de agosto.
Na bacia do Tocantins, Serra da Mesa registrava 53,6%, após recuar 3,1 pontos percentuais. Tucuruí apresentava 77,7%, com redução de 7,5 pontos.
Três Marias e Sobradinho, no sistema do rio São Francisco, também permaneceram na faixa normal. Os volumes eram de 87,3% e 73%, respectivamente. Em Três Marias, o armazenamento foi o maior já verificado para a data desde 1993.
Nordeste tem 71 açudes abaixo de 20%
A situação é mais delicada em parte do Nordeste e do semiárido. Dos 358 açudes acompanhados pela ANA, 71 estavam com menos de 20% da capacidade. Desse conjunto, 47 armazenavam menos de 10%.
Os casos se concentram principalmente em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. O açude Jucazinho, em Pernambuco, apresentava o menor nível entre os reservatórios relacionados no boletim, com apenas 3,9% da capacidade.
Ainda assim, o armazenamento conjunto dos reservatórios monitorados no Nordeste e semiárido atingia 49,7% em 27 de agosto, acima dos 47,4% observados na mesma data de 2025. Portanto, baixos níveis pontuais coexistem com uma condição regional agregada ligeiramente melhor que a do ano passado.
Seca aumentou no Sudeste
O Monitor de Secas indicou que, em julho, 89% da Região Sudeste apresentava algum grau de seca. Cerca de 2% da área estava classificada com seca grave.
No Nordeste, a parcela atingida por seca moderada passou de 12% em julho de 2023 para 45% em julho de 2026. No Centro-Oeste, por outro lado, a área afetada diminuiu para 30%, com predomínio de seca fraca.
Essas classificações representam condições acumuladas de precipitação e impactos observados. Elas não significam que toda a população das áreas destacadas esteja enfrentando falta de água.

Próximos meses exigem acompanhamento
Os modelos climáticos indicam possibilidade de chuva acima da média em áreas da Região Sul e abaixo da média no centro-norte do país durante o trimestre de setembro a novembro.
A previsão, combinada com temperaturas elevadas, pode ampliar o déficit hídrico em algumas regiões. No Sul, a maior ocorrência de chuva também exige atenção para possíveis cheias, especialmente no Rio Grande do Sul.
Previsões sazonais trabalham com probabilidades e não determinam quanto choverá em cada cidade. A evolução dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, das vazões dos rios e da forma como a água armazenada será utilizada.
O cenário reforça a importância do monitoramento contínuo, da redução de perdas nas redes de abastecimento e do planejamento integrado entre energia, saneamento, irrigação e conservação ambiental.
Fonte: comunicado oficial da ANA, publicado em 1º de setembro de 2026.