O mar pode subir rapidamente mesmo sem um terremoto. Em determinadas condições, uma perturbação na atmosfera gera ondas longas que se propagam pela água: é o tsunami meteorológico, também chamado de meteotsunami.
O nome assusta, mas compreender o mecanismo ajuda a distinguir fenômenos diferentes. Uma invasão de água na orla não permite, por si só, identificar a causa. É necessário analisar o oceano e a atmosfera juntos.
Para aprofundar a leitura: Ciclone, frente fria e ressaca: qual a diferença? e Ressaca: como ler os avisos da Marinha.
Uma onda que começa na atmosfera
Segundo a NOAA, agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, meteotsunamis estão associados a perturbações da pressão do ar, frequentemente ligadas a sistemas meteorológicos que se deslocam rapidamente. A onda gerada pode ser amplificada por águas rasas e pelas características de baías e enseadas.
A intensidade, a direção e a velocidade da perturbação, além da profundidade e da forma do fundo, influenciam o desenvolvimento do evento. Por isso, a passagem de uma tempestade não significa automaticamente que haverá um meteotsunami.
Como ele difere das ondas comuns?
Em entrevista técnica à NOAA, o oceanógrafo Greg Dusek explica que as oscilações de um meteotsunami duram de minutos a horas, enquanto as ondas comuns de praia têm períodos muito menores. O fenômeno pode se manifestar como subidas e descidas do nível da água e correntes intensas.
Também costuma ter alcance regional, com efeitos que podem variar entre portos, estuários e trechos de costa. Uma praia aparentemente tranquila não resume tudo que está acontecendo no mar ou em uma área vizinha.
Meteotsunami, ressaca e tsunami sísmico
No tsunami gerado por terremoto, a perturbação inicial está ligada ao deslocamento de água provocado pelo movimento do fundo. No meteotsunami, o agente inicial é atmosférico. A origem muda, ainda que as ondas possam apresentar características semelhantes.
Já a ressaca envolve agitação marítima associada a ondas e sistemas meteorológicos. Os processos podem ocorrer em um mesmo período, mas não devem ser tratados como sinônimos. A palavra “tsunami” em uma legenda de vídeo não substitui um diagnóstico técnico.
Como se confirma um episódio?
Registros de nível da água, pressão atmosférica, vento e deslocamento das tempestades ajudam a reconstruir o evento. Vídeos contribuem para identificar o horário e os locais afetados, mas precisam ser confrontados com medições.
Um exemplo documentado pela NOAA ocorreu em junho de 2013 na costa nordeste dos Estados Unidos. Ondas atingiram áreas de Nova Jersey depois da passagem de um sistema de tempestades. A investigação conectou os impactos observados ao mecanismo meteorológico.
Registro em vídeo
O vídeo abaixo preserva um registro de avanço da água que já fazia parte desta publicação. Imagens ajudam a observar a rapidez da inundação; isoladamente, não medem a pressão do ar nem a propagação da onda.
O que esse tema muda na prevenção costeira?
Na gestão ambiental, o ponto central é a necessidade de combinar monitoramento e comunicação. Observar somente o vento ou somente o nível do mar pode deixar lacunas. Uma cidade também precisa considerar quem está exposto nas praias, píeres, canais e áreas baixas.
Para quem frequenta a orla, não é necessário identificar cientificamente uma onda para respeitar uma interdição ou um aviso oficial. Diante de avanço incomum da água, afaste-se da faixa atingida e siga as orientações da Defesa Civil e dos responsáveis pelo local. Permanecer para filmar pode aumentar a exposição.
Sergio Martins é formado em Gestão Ambiental, com pós-graduação em Sustentabilidade e Políticas Públicas, e criador do Santos em Movimento.
Fontes e referências: NOAA — definição de meteotsunami; NOAA — geração meteorológica e episódio de 2013; NOAA — entrevista com o oceanógrafo Greg Dusek.
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