Dunas avançam sobre área urbana de cidade no Piauí

O deslocamento de grandes volumes de areia provocado pela ação dos ventos faz parte da paisagem de Ilha Grande, no litoral do Piauí, mas também representa um desafio para quem vive próximo aos campos de dunas. Em determinados pontos do município, a movimentação da areia se aproxima de áreas ocupadas e exige medidas para reduzir os impactos sobre a população.

Localizada na região do Delta do Parnaíba, Ilha Grande possui pouco mais de 9 mil habitantes e uma área de aproximadamente 130 quilômetros quadrados. O município convive com um ambiente costeiro marcado por dunas, manguezais e outros ecossistemas associados ao delta.

O avanço da areia não é um fenômeno repentino. As dunas móveis mudam de posição gradualmente, principalmente pela atuação dos ventos, transportando sedimentos de uma área para outra.

Quando esse processo natural encontra ruas, casas e estabelecimentos comerciais, porém, surge um problema para a ocupação urbana.

Avanço das dunas já ameaçou casas e comércio

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A situação não é recente. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) já reconheceu oficialmente que o deslocamento das dunas representava ameaça a residências e estabelecimentos comerciais no perímetro urbano de Ilha Grande.

Para enfrentar o problema, foi desenvolvido um projeto de estabilização envolvendo 131 hectares de dunas.

A estratégia adotada foi diferente da simples retirada da areia. O projeto utilizou biocoberturas feitas com fibras vegetais, associadas ao plantio de espécies capazes de se adaptar às condições de solo, clima e vento da região.

A intenção era reduzir a mobilidade da areia e permitir que a vegetação ajudasse gradualmente na estabilização das dunas.

Dados do Portal da Transparência mostram que o termo de compromisso destinado à intervenção registrou cerca de R$ 1,68 milhão em recursos liberados.

A Codevasf posteriormente informou que a intervenção nos 131 hectares havia sido concluída.

Por que a areia continua se movimentando?

Dunas costeiras não são estruturas fixas. Quando existe areia disponível e condições favoráveis de vento, os sedimentos podem ser transportados continuamente.

É justamente essa movimentação que permite que uma duna avance enquanto outras partes do terreno podem perder areia.

Por isso, o fenômeno observado em Ilha Grande não deve ser interpretado como uma espécie de “invasão” incomum da natureza. O deslocamento faz parte da dinâmica natural desse ambiente.

O problema aparece principalmente quando o caminho natural da areia passa a coincidir com áreas ocupadas pela população.

Vegetação ajuda a conter o deslocamento

A utilização de vegetação é uma das alternativas empregadas para diminuir a movimentação de dunas em locais considerados vulneráveis.

No projeto desenvolvido em Ilha Grande foram utilizadas mantas de fibras vegetais, além do plantio e da regeneração natural da vegetação.

Documento técnico da Codevasf também registra intervenções na região do Delta do Parnaíba e na comunidade de Porto dos Tatus com o objetivo de controlar o deslocamento das dunas em direção a áreas ocupadas e ambientes aquáticos.

A vegetação funciona como uma barreira natural, ajudando a reter os sedimentos transportados pelo vento.

Dunas não são apenas um problema

Apesar dos transtornos provocados quando a areia alcança áreas urbanizadas, as dunas exercem funções importantes nos ambientes costeiros.

Elas armazenam sedimentos, participam da dinâmica das praias e integram ecossistemas que precisam ser considerados no planejamento das cidades litorâneas.

Isso cria um desafio para o poder público: proteger moradias e infraestrutura sem eliminar processos naturais importantes para o equilíbrio ambiental.

O caso de Ilha Grande mostra como planejamento urbano e características naturais do território precisam caminhar juntos.

Em regiões costeiras, fenômenos como erosão, movimentação de dunas, ressacas e inundações não podem ser analisados somente depois que começam a afetar áreas ocupadas. Conhecer previamente a dinâmica do território pode ajudar a orientar novas construções e reduzir gastos futuros com obras de contenção.

Fontes e referências

  • Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf)
  • Portal da Transparência do Governo Federal
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
  • Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional
  • Plano Nascente Parnaíba — Codevasf

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