
Encontrar um gavião pousado em uma árvore, em um prédio ou perto de uma avenida pode causar surpresa. Quando a ave faz um voo próximo de alguém, a surpresa também pode virar medo. Em Santos, compreender esse comportamento ajuda a proteger tanto os moradores quanto a fauna que compartilha o espaço urbano.
A presença dessas aves não é uma novidade. Segundo a orientação da Prefeitura, o gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) ocorre na cidade há mais de 20 anos. Sua convivência com a população exige informação, cuidado e atenção aos locais de reprodução.
Para aprofundar a leitura: Lagoa do Saboó: jacarés, conservação e Porto de Santos e Chapéu-de-sol: a árvore que marca a orla de Santos.
Por que os gaviões vivem na cidade?
Uma cidade também oferece condições para a sobrevivência de animais silvestres. Árvores e estruturas elevadas podem servir como pontos de pouso, enquanto a disponibilidade de presas influencia a permanência das aves.
A Prefeitura de Santos relaciona essa presença à oferta de alimento, aos locais de pouso e às transformações dos ambientes naturais. Restos de comida expostos favorecem animais como pombos e roedores, que podem integrar a cadeia alimentar dos gaviões.
Isso mostra como uma atitude aparentemente simples, como deixar lixo aberto, pode produzir efeitos além da sujeira. O descarte interfere nas relações entre diferentes espécies e aproxima animais dos espaços usados pelas pessoas.
Também é importante distinguir presença de aumento populacional. Ver mais aves ou receber mais relatos não comprova, sozinho, que a população de gaviões cresceu. Essa conclusão depende de acompanhamento e dados comparáveis ao longo do tempo.
Por que um gavião pode voar perto de alguém?
Um voo de aproximação pode estar relacionado à defesa de um território, especialmente quando há ninhos e filhotes. Conforme o guia municipal, o gavião-asa-de-telha geralmente evita seres humanos, mas pode reagir quando percebe uma ameaça nas proximidades do ninho.
A orientação de Santos indica um período reprodutivo entre junho e janeiro. Esse dado ajuda a entender por que determinadas áreas precisam de atenção durante parte do ano, sem transformar todo avistamento em sinal de perigo.
Para quem passa pela rua, o ninho pode nem estar visível. Por isso, a melhor resposta a uma aproximação é aumentar a distância e evitar insistir no mesmo local para observar ou fotografar a ave.

Qual é o papel ambiental dessas aves?
O gavião-asa-de-telha se alimenta de outros animais, incluindo aves, roedores, lagartos e insetos grandes. Como predador, participa das relações ecológicas e pode contribuir para o controle natural de algumas populações.
Esse papel não substitui a limpeza urbana, o manejo de resíduos ou as ações de saúde pública. A conservação da fauna e os serviços urbanos precisam funcionar juntos.
A existência de predadores também lembra que a cidade faz parte de um ambiente maior. Praças, canais, jardins e áreas arborizadas não são apenas elementos da paisagem: podem oferecer abrigo, alimento e passagem para diferentes espécies.
Como conviver com os gaviões com segurança?
As recomendações divulgadas pela Prefeitura durante a campanha de orientação incluem manter distância, evitar contato e não alimentar, provocar ou encurralar as aves.
Na prática:
• Observe de longe, sem tentar atrair o animal.
• Evite permanecer perto de ninhos ou de áreas sinalizadas.
• Não toque em ovos, filhotes ou estruturas de nidificação.
• Não tente capturar ou remover a ave por conta própria.
• Mantenha restos de comida e resíduos em recipientes fechados.
A proteção dos ninhos também faz parte da orientação municipal. Se houver um conflito recorrente em um local de passagem, a situação deve ser comunicada aos órgãos responsáveis para avaliação.
Quando procurar ajuda?
Para situações envolvendo animais silvestres feridos ou em risco, a Prefeitura informa os telefones 153, da Guarda Municipal Ambiental, e 193, do Corpo de Bombeiros. Apenas observar um gavião pousado, sem uma situação de risco, não exige necessariamente um resgate.
Se ocorrer um ferimento provocado pela ave, a orientação municipal é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente.
O que essa convivência revela sobre a gestão ambiental?
Na minha avaliação, lidar com a fauna urbana exige uma gestão ambiental próxima do cotidiano. Informação clara, acompanhamento dos locais de reprodução e destinação adequada dos resíduos ajudam a reduzir conflitos.
O desafio é organizar o uso do espaço público considerando as pessoas e os animais que nele vivem. Uma sinalização compreensível pode orientar quem passa; uma avaliação técnica pode indicar cuidados temporários; e a educação ambiental pode evitar reações que agravem a situação.
Conviver com os gaviões começa por compreender seu comportamento. Com informação e distância adequada, é possível reconhecer seu papel ambiental e agir com mais segurança.
Sergio Martins
Formação em Gestão Ambiental e pós-graduação em Sustentabilidade e Políticas Públicas.
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