O litoral do Rio de Janeiro reúne alguns dos exemplos mais conhecidos de erosão costeira do Brasil. Mas o avanço do mar não ocorre da mesma forma em todos os municípios. Em alguns trechos há recuo persistente da linha de costa; em outros, os maiores danos aparecem durante ressacas e eventos extremos.
Para aprofundar a leitura: Atafona perdeu mais de 1 milhão de m² para a erosão e Erosão atinge 59% do litoral de Campos dos Goytacazes.
Por que a costa do Rio de Janeiro muda tanto?
Praias são ambientes dinâmicos. Ondas, correntes, ventos, disponibilidade de sedimentos, desembocaduras de rios e intervenções humanas podem alterar a posição da linha de costa. Por isso, duas praias relativamente próximas podem apresentar comportamentos muito diferentes.
No vídeo, o Santos em Movimento percorre 11 cidades e localidades do litoral fluminense para mostrar situações de erosão, ressacas, obras de proteção e medidas de adaptação. Entre os casos analisados estão Niterói, Maricá, Saquarema, Mangaratiba, Paraty, Macaé, Rio das Ostras, Campos dos Goytacazes, São Francisco de Itabapoana, São João da Barra e áreas do município do Rio de Janeiro.
Atafona é o caso mais conhecido
Em Atafona, distrito de São João da Barra, o avanço do mar modificou profundamente a paisagem urbana ao longo das últimas décadas. Ruas e construções foram atingidas pela erosão, tornando o local um dos exemplos mais emblemáticos da interação entre dinâmica costeira, foz de rio e ocupação urbana no país.
O problema, porém, não deve ser usado como modelo para explicar todo o litoral do estado. Cada trecho precisa ser analisado de acordo com sua própria dinâmica sedimentar e histórico de ocupação.
Obras de proteção e monitoramento
Alguns municípios adotaram intervenções para reduzir danos. Niterói possui trechos com obras de contenção; Rio das Ostras já utilizou enrocamento para proteger áreas vulneráveis; e outras cidades estudam ou executam projetos de recuperação e proteção da orla.
Em Maricá, o monitoramento da dinâmica costeira ajuda a acompanhar as mudanças provocadas por ondas e ressacas. Saquarema também passa por intervenções de revitalização em setores de sua orla. Em Campos dos Goytacazes, áreas próximas a Farol de São Tomé e Barra do Furado exigem atenção por causa das alterações observadas na costa.
Quando proteger e quando recuar?
Muros, enrocamentos e outras estruturas podem proteger determinados pontos, mas não representam uma solução universal. Dependendo das características da praia, uma obra pode alterar a circulação de sedimentos e transferir impactos para setores vizinhos.
Entre as alternativas utilizadas no planejamento costeiro estão alimentação artificial de praias, recuperação de dunas, obras de engenharia, monitoramento contínuo e controle ou recuo da ocupação em áreas de maior risco. A escolha depende das condições locais e de estudos técnicos.
O mar está avançando em todo o Rio de Janeiro?
Não. A expressão “avanço do mar” ajuda a comunicar o problema, mas cientificamente é importante distinguir erosão costeira, ressacas, inundação e elevação do nível médio do mar. Esses processos podem ocorrer juntos, mas não são a mesma coisa.
O vídeo apresenta mapas, imagens e exemplos das diferentes situações encontradas no litoral fluminense e mostra por que não é correto tratar todas as praias como se enfrentassem o mesmo nível de vulnerabilidade.
Sergio Martins é formado em Gestão Ambiental, com pós-graduação em Sustentabilidade e Políticas Públicas, e criador do canal Santos em Movimento no YouTube.
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