Pets viraram família, mas viajar ainda é um desafio

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Cachorro Shiba Inu dentro de uma bolsa de transporte
Animal em bolsa de transporte. Imagem ilustrativa; as regras de viagem dependem do transportador. Foto: Taro the Shiba Inu. CC BY 2.0.

Os animais de estimação ocupam um espaço cada vez maior na rotina das famílias brasileiras. Essa relação também aparece na hora das férias: muitos tutores querem levar cães e gatos junto na viagem, mas descobrem que transformar esse desejo em realidade ainda pode significar custos extras, burocracia e uma série de limitações.

O Brasil reúne cerca de 160 milhões de animais de estimação e o mercado pet movimenta dezenas de bilhões de reais por ano. Ao mesmo tempo, o turismo pet friendly vem ganhando espaço, acompanhando uma mudança de comportamento: para uma parcela dos consumidores, escolher o destino também significa descobrir se o animal será realmente bem recebido.

Para aprofundar a leitura: A geração que fica em casa e a geração que volta a empreender e Por que julgamos os outros de um jeito e a nós mesmos de outro?.

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O pet passou a fazer parte da decisão de viagem

Levantamentos sobre turismo apontam que a possibilidade de viajar com o animal influencia a escolha de destinos de muitos brasileiros. Isso cria oportunidades para hotéis, pousadas, restaurantes, transportadoras, companhias aéreas e atrações turísticas.

Mas existe uma diferença importante entre simplesmente permitir a entrada de animais e oferecer uma experiência verdadeiramente pet friendly. Restrições de porte, áreas proibidas, taxas adicionais e regras pouco claras podem surpreender o tutor depois da reserva.

No avião, regras e custos são obstáculos

O transporte aéreo é um dos pontos que mais exigem planejamento. As companhias podem estabelecer condições próprias para o serviço, incluindo limites de peso, dimensões da caixa de transporte, quantidade de animais por voo e tarifas.

Além da burocracia, existe a preocupação com o bem-estar do animal. Uma pesquisa divulgada em 2026 apontou entre as principais dificuldades relatadas pelos viajantes as regras das companhias, o receio de estresse para o pet e os custos envolvidos.

Viagens internacionais exigem documentação

Quando a viagem cruza fronteiras, o planejamento precisa começar ainda mais cedo. Dependendo do país de destino, podem ser exigidos vacinação, identificação, exames, tratamentos específicos e documentos sanitários.

No Brasil, o Ministério da Agricultura orienta sobre documentos como o Certificado Veterinário Internacional (CVI) e, nos casos aplicáveis, o Passaporte para Trânsito de Cães e Gatos. As exigências variam conforme o destino.

Hotel pet friendly nem sempre significa liberdade total

Na hospedagem, o selo pet friendly pode esconder experiências muito diferentes. Alguns estabelecimentos oferecem cama, potes, áreas de convivência e até serviços específicos. Outros apenas aceitam o animal no quarto e restringem sua presença em áreas comuns.

Antes de reservar, o tutor precisa verificar não apenas se o local aceita pets, mas quais são as regras: tamanho permitido, quantidade de animais, cobrança de diária adicional, circulação em restaurantes e piscinas e possibilidade de deixar o pet sozinho no quarto.

Nem toda viagem é boa para o animal

Existe ainda uma questão que vai além do mercado. A vontade do tutor de ter o animal por perto não significa que qualquer deslocamento seja adequado para o pet. Longas horas de transporte, mudança brusca de ambiente, calor, ruído e locais muito movimentados podem causar desconforto e estresse.

Por isso, especialistas em comportamento e saúde animal recomendam considerar as características individuais do pet e buscar orientação veterinária quando houver dúvidas, principalmente em viagens longas ou de avião.

Um mercado com espaço para crescer

O crescimento do mercado pet cria uma oportunidade para o setor de turismo. À medida que os animais passam a fazer parte das decisões de consumo das famílias, empresas capazes de reduzir burocracia, tornar regras transparentes e oferecer estrutura adequada podem conquistar esse público.

Ser pet friendly, portanto, tende a significar mais do que colocar uma placa na entrada. Envolve preparar ambientes, treinar equipes, estabelecer regras compreensíveis e equilibrar as necessidades de tutores, animais e demais clientes.

Um mercado que ainda precisa se adaptar

O mercado percebeu rapidamente que os pets deixaram de ser vistos por muitas famílias apenas como animais domésticos. Eles participam da rotina, das decisões de consumo e, cada vez mais, dos planos de viagem.

O desafio é que parte dos serviços ainda não acompanhou completamente essa transformação. Quando um estabelecimento se apresenta como pet friendly, o consumidor espera encontrar regras claras e condições que tornem possível aproveitar a viagem com o animal, e não apenas autorização para mantê-lo dentro do quarto.

Existe uma oportunidade econômica importante nesse cenário, mas ela depende de estrutura e responsabilidade. Facilitar a viagem não pode significar ignorar o bem-estar do animal. O melhor serviço será aquele capaz de conciliar a experiência do tutor com segurança, conforto e respeito às necessidades do pet.

Sergio Martins — formado em Gestão Ambiental, com pós-graduação em Sustentabilidade e Políticas Públicas.


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