Santos iniciou uma nova etapa de planejamento para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Um grupo técnico municipal começou a reunir informações destinadas ao mapeamento de áreas vulneráveis e à definição de ações prioritárias de adaptação.
O Grupo Técnico de Trabalho de Adaptação Baseada em Ecossistemas realizou sua reunião de instalação em 3 de setembro. A iniciativa envolve representantes de diferentes secretarias e está vinculada à área municipal responsável pelas políticas climáticas.
O que é adaptação baseada em ecossistemas
A adaptação baseada em ecossistemas utiliza a conservação, a recuperação e o manejo de ambientes naturais para diminuir a vulnerabilidade das pessoas e das cidades aos impactos climáticos.
Em uma cidade costeira, essa abordagem pode envolver, dependendo dos estudos de cada local, recuperação de manguezais e restingas, ampliação de áreas permeáveis, proteção de encostas, arborização urbana e conservação de cursos d’água.
Essas soluções podem auxiliar na retenção da água da chuva, na redução do calor e na proteção de áreas expostas a inundações ou processos erosivos. Entretanto, não substituem automaticamente obras de drenagem, saneamento, contenção e manutenção da infraestrutura.
A escolha precisa considerar o problema identificado, as características do terreno, os custos, a manutenção e a população atingida.
Três planos deverão orientar o trabalho
Segundo a Prefeitura, o grupo pretende articular informações do Plano de Ação Climática de Santos, do Plano Municipal de Redução de Riscos e do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica.
A integração é importante porque eventos como chuvas intensas, deslizamentos, ondas de calor, elevação da maré e inundações costeiras não afetam todas as regiões da cidade da mesma maneira.
Os riscos também dependem da ocupação urbana, da impermeabilização do solo, da conservação dos sistemas de drenagem, da presença de vegetação e das condições sociais dos moradores.
Medida ainda está na fase de planejamento
A instalação do grupo não significa que novas intervenções ambientais já tenham sido iniciadas. A informação divulgada pela Prefeitura trata da organização do trabalho técnico.
Os próximos passos anunciados incluem a construção da metodologia, a definição do cronograma e o levantamento das ações e áreas consideradas prioritárias.
Ainda não foram apresentados, no comunicado consultado, uma relação definitiva de locais que receberão intervenções, o orçamento necessário ou prazos para a execução de projetos específicos.
Essas informações serão importantes para que a população consiga acompanhar a transformação do planejamento em medidas concretas e avaliar seus resultados.
Por que o tema importa para Santos
Santos reúne características que aumentam a necessidade de planejamento climático: é uma cidade costeira, densamente urbanizada e com áreas sujeitas a alagamentos, ressacas, marés elevadas, calor intenso e movimentos de encosta.
O Ministério das Cidades também orienta que a adaptação seja incorporada ao planejamento urbano municipal. A proposta é utilizar avaliações de risco climático na definição de políticas, investimentos e prioridades territoriais.
Mais do que reagir depois de cada evento extremo, a adaptação procura reduzir antecipadamente a exposição das pessoas, dos serviços públicos e da infraestrutura.
O resultado do novo grupo dependerá da qualidade dos levantamentos, da participação das áreas técnicas, da continuidade administrativa e da execução efetiva das medidas que forem escolhidas.
Fontes: Prefeitura de Santos e Projeto AdaptAÇÃO do Ministério das Cidades.